Bordanova: um espaço alternativo dedicado à transição ecológica, à economia circular e à inovação social

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Bordanova: um espaço alternativo dedicado à transição ecológica, à economia circular e à inovação social

Subtítulo - Sous-titre - Subtítulo Uma visita no âmbito do projeto ATLAS
Fecha de publicación / Date de publication / Data de publicação 28.07.2026
Texto del artículo / Texte de l'article / Texto do artigo No coração de Lahage, em Haute-Garonne, situa-se Bordanova, uma antiga área abandonada com 10 hectares de terreno e 3 000 m² de edifícios, que se tornou hoje um «terceiro lugar» pioneiro dedicado à transição ecológica, à economia circular e à inovação social. Este «terceiro lugar», gerido desde 2018 pela associação 3PA Maison de la Terre, é um labirinto de espaços variados, onde artesãos, alunos, funcionários e trabalhadores em inserção profissional desenvolvem as suas atividades. O local, que inicialmente era utilizado apenas num décimo da sua área, foi-se desenvolvendo gradualmente para responder às necessidades do território. Empresários, artesãos e coletivos manifestam interesse em desenvolvê-lo para expandir as suas atividades, e a associação adapta os espaços para dar resposta a essas necessidades.

Na oficina de carpintaria, os alunos da escola ÊTRE estão a trabalhar. Nascida no âmbito do «terceiro lugar» e posteriormente alargada a outras 33 escolas, a ÊTRE alia a transição ecológica à inserção profissional. Foi concebida a partir de uma dupla constatação: «há 100 000 jovens que abandonam o sistema escolar todos os anos, sem diploma, e que serão os primeiros a ser afetados pelo desemprego. Ao mesmo tempo, o número de empregos possíveis na transição ecológica não pára de aumentar, nomeadamente nas profissões manuais, que representam mais de 90% das profissões da transição ecológica atualmente» (Doriane, codiretora). Aqui são acolhidos cerca de vinte jovens entre os 16 e os 25 anos, em estadias de 3 meses. Afastados do mercado de trabalho, vêm aqui para descobrir e formar-se nas diferentes profissões da transição ecológica: carpintaria com materiais reutilizados, eco-construção e horticultura biológica. No início de 2026, uma artista em residência envolveu os jovens no seu projeto, centrado na criação de cartografias com elementos naturais, nomeadamente madeira. Mas o projeto principal, durante os três meses de estadia, consistirá em construir um forno de pizza numa caravana, utilizando materiais como terra ou tijolos. Estes jovens, que muitas vezes chegam desmotivados pelo sistema de aprendizagem tradicional, descobrem no local não só novos percursos profissionais, mas também o gosto pelo trabalho em equipa. O formato de aprendizagem prática foi concebido para ajudar os jovens a reforçar a sua autonomia e a recuperar a autoconfiança.

Ao meio-dia, os residentes do «terceiro lugar» podem almoçar na cantina solidária, a CROQUE (Cantina Rural, Original, de Qualidade Única e Ecológica). Rodrigo, o responsável pela cozinha, propõe um menu 100% vegetariano concebido no próprio dia a partir de produtos não vendidos da So Bio, recuperados com a ajuda dos colaboradores do projeto de inserção profissional. Ele explica que «isso dá espaço à criatividade, para experimentar novos pratos. Na equipa, somos praticamente todos de países diferentes, o que traz imensas receitas, como um prato afegão ou pastelaria marroquina». Os resíduos servem, por um lado, para fazer composto, que é reutilizado na horta, e, por outro, para alimentar os porcos. O «terceiro lugar» insere-se assim numa abordagem de combate ao desperdício alimentar, de economia circular e de funcionamento em circuito curto.

A quinta e o jardim pedagógico servem de base não só para a formação, mas também para o polo ÉVEIL, dirigido por Laure. Este espaço é dedicado à realização de atividades e à sensibilização ambiental de todos os públicos: centros de lazer, escolas, creches ou lares de idosos vêm passar algum tempo aqui. A região conta com uma elevada proporção de população agrícola, mas «a produção alimentar, quer se trate de cereais, culturas extensivas, pecuária ou horticultura, continua a basear-se em métodos convencionais, que nem sempre respeitam o solo, a vida e o ser humano». «A ideia aqui é mostrar que, na verdade, é possível fazer de outra forma. É possível trabalhar em coletivo, é possível produzir respeitando o solo, o vizinho, a vida, a biodiversidade e as crianças da escola ao lado.» (Laure).

O «terceiro lugar» desenvolve parcerias e incentiva a partilha de recursos entre os agricultores e artesãos da região. Cerca de vinte profissionais e promotores de projetos encontraram aqui o seu lugar, como cervejeiros, um padeiro ou uma erborista: são os «Bordanoviens». Este espaço de experimentação «permite que as pessoas se ponham à prova em segurança, algo que talvez não se tivessem atrevido a fazer sem ter acesso a um coletivo como este». Os espaços disponibilizados sem a obrigação de pagar renda, as ferramentas partilhadas ou a ajuda que os jovens em formação podem dar, em troca da aprendizagem de um ofício, constituem um apoio à sua atividade.

Na cervejaria, o Nicolas e o Nicolas fabricam cervejas biológicas em recipientes retornáveis. Para eles, trabalhar no «terceiro lugar» significa ter a possibilidade de dar origem a novos projetos. «Temos uma proximidade geográfica com muitos outros intervenientes do local, o que permite criar projetos que não teríamos necessariamente tido a ideia de criar se estivéssemos completamente sozinhos». É também uma questão de apoio, «porque, quando olhamos para os colegas que têm outras cervejarias, isso representa, por vezes, um certo risco».

Assim, a Bordanova é um espaço de experimentação e formação, no qual se repensa e se reinventa o trabalho, a relação com os outros e com a natureza. Locais como este permitem imaginar de outra forma o futuro do mundo rural e mostrar que uma agricultura mais sustentável é possível.
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Autor.a de la imagen / Auteur.rice de l'image / Autor.a da imagem Associação 3PA Bordanova


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