Definição dos critérios para os terceiros lugares agroalimentares II

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Definição dos critérios para os terceiros lugares agroalimentares II

Subtítulo - Sous-titre - Subtítulo A tradição que nos sustenta: não partimos do zero
Fecha de publicación / Date de publication / Data de publicação 09.03.2026
Palabras clave / Mots-clés / Palavras-chave censo terceiros lugares agro alimentares
Texto del artículo / Texte de l'article / Texto do artigo Este artigo é a segunda parte de «Definição dos critérios dos terceiros lugares agroalimentares: um conceito partilhado, realidades diversas I», no qual expusemos os critérios, apresentámos a situação inicial em Espanha e a importância do critério 6 neste território.

Tendo em conta o exposto anteriormente, a boa notícia é que, em Espanha, não partimos do zero. Temos uma tradição que nos confere uma enorme vantagem competitiva.

Para começar, a nossa relação com a comida é profundamente social. É o ritual de ir comprar o pão, a receita da avó, a conserva que partilhamos com o vizinho. Esse saber-fazer na agricultura, na cozinha e na transformação tem sido transmitido de geração em geração.

Além disso, temos um tecido cooperativo potente no setor agroalimentar, que concentra uma percentagem altíssima da produção. Uma tradição de trabalho coletivo que, embora diferente, é um terreno fértil perfeito para os terceiros lugares.

Temos ainda uma memória histórica a reivindicar. Existem testemunhos de coletivizações agrárias, como as de Llerena durante a guerra civil, onde a produção foi colocada ao serviço da comunidade para garantir a alimentação básica. Experiências apagadas, mas que nos lembram que colocar a alimentação no centro da vida coletiva não é uma invenção moderna.

E, como se isso não bastasse, a produção biológica está no nosso ADN. Mais de 12% da nossa superfície já é biológica, embora grande parte da produção local não esteja certificada nem contabilizada, porque se destina ao autoconsumo ou à venda direta. Pensemos na suinicultura ibérica extensiva: é agroecologia pura, sem necessidade de rótulos.

Em suma, os terceiros lugares agroalimentares falam-nos de um futuro em que comemos melhor, conhecemos quem nos alimenta e decidimos juntos como queremos que seja o nosso ambiente. Um futuro que, de certa forma, já faz parte do nosso passado e da nossa forma de entender a vida. Só temos de lhe dar espaço para que ressurgir.

Na terceira parte deste artigo «Definição dos critérios dos terceiros lugares agroalimentares III: Três países, uma mesma receita. Assim vivem a França, a Espanha e Portugal os seus terceiros lugares», compararemos brevemente como a França, a Espanha e Portugal vivem os seus terceiros lugares.
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Características / Caractéristiques / Características


Idioma - Langue - Lingua
  • Português
Grupo de tarea a la que se refere el artículo / Groupe de tâche auquel se réfère l'article / Grupo de tarefas ao qual o artigo se refere  GT1 Estado del arte / Etat de l'art / Estado da arte
Temática / Thématique / Tema Censo participativo de los terceros lugares agroalimentarios / Recensement participatif des tiers-lieux agroalimentaires / Recenseamento participativo dos terceiros lugares agroalimentares