Texto del artículo / Texte de l'article / Texto do artigo
Em muitos locais do sul da Europa está a acontecer algo interessante. Em antigas quintas, em pequenas aldeias, em cooperativas rurais, em espaços partilhados de transformação alimentar ou em hortas comunitárias, estão a surgir projetos que combinam agricultura, inovação social, aprendizagem e vida em comunidade. São iniciativas que não se enquadram totalmente nas categorias tradicionais: não são apenas explorações agrícolas, nem apenas centros sociais, nem simples espaços de formação. São lugares híbridos, vivos, onde produzir alimentos significa também produzir comunidade. Para começar a compreender melhor esta realidade emergente, o projeto Interreg Sudoe ATLAS lançou uma nova iniciativa: um recenseamento participativo de terceiros lugares agroalimentares. Com ele, convidam-se todas as iniciativas sociais ligadas à agroecologia e à alimentação sustentável a darem-se a conhecer e a fazerem parte de um mapa comum de experiências.
A ideia é simples, mas ambiciosa. Em muitos territórios, estas iniciativas existem, funcionam e geram impacto local, mas muitas vezes fazem-no de forma dispersa, sem saber que noutras regiões existem projetos muito semelhantes a enfrentar os mesmos desafios.
O recenseamento visa precisamente dar visibilidade a essa rede que já existe, embora nem sempre
tenha consciência de si própria. Um dos principais objetivos do projeto ATLAS é identificar e cartografar estas iniciativas para elaborar a primeira tipologia transnacional de «terceiros lugares» agroalimentares. Este trabalho permitirá compreender melhor as formas que estes espaços assumem, como se organizam e que papel desempenham na transição para sistemas alimentares mais sustentáveis. Além disso, este conhecimento pode servir de base para orientar futuras políticas públicas e programas de apoio que ajudem estes projetos a nascer, crescer e consolidar-se.
Mas o censo não é apenas uma ferramenta de investigação. Também pode tornar-se uma oportunidade para as próprias iniciativas participantes. Ao registar-se, cada projeto pode dar-se a conhecer para além do seu ambiente imediato, estabelecer ligações com experiências semelhantes e descobrir que faz parte de um movimento muito mais amplo de inovação territorial.
O questionário recolhe informações básicas — como a localização, a forma jurídica, os dados de contacto ou o site —, mas também coloca questões que ajudam a compreender melhor a vida interna destes espaços: quais os objetivos que perseguem, quais os desafios sociais que tentam abordar, quais as atividades que desenvolvem ou como se organizam as formas de participação no âmbito do projeto.
As primeiras respostas ao inquérito já revelam um panorama promissor. Em todos os países que participam no projeto, a iniciativa foi recebida de forma positiva. Ao mesmo tempo, começam a surgir algumas diferenças interessantes entre os territórios.
Em França, por exemplo, o conceito de terceiro lugar está muito mais difundido. Há anos que existem políticas públicas e programas específicos que promovem estes espaços, o que faz com que muitas iniciativas se identifiquem com este modelo e participem ativamente em redes e processos de mapeamento.
Em Espanha e Portugal, por outro lado, a situação é diferente. O termo «terceiro lugar» ainda é pouco conhecido e as políticas públicas que apoiam este tipo de projetos são escassas ou praticamente inexistentes. Além disso, muitas iniciativas funcionam com recursos muito limitados: equipas pequenas, estruturas frágeis e pouco tempo disponível para dedicar a processos de visibilidade ou divulgação.
E, no entanto, precisamente por isso, o censo pode desempenhar um papel especialmente importante. Cada nova iniciativa identificada ajuda a traçar um mapa mais completo da inovação social ligada à agroecologia e à alimentação sustentável no espaço Sudoe.
Mais do que um simples registo, este recenseamento é o início de algo maior: uma forma de reconhecer que, em muitos locais, já estão a surgir espaços onde a produção de alimentos significa também fortalecer as comunidades, partilhar conhecimentos e abrir novas oportunidades para os territórios. Um mapa que não só descreve o que existe, mas também ajuda a imaginar o que ainda pode crescer.
Autor.a de la imagen / Auteur.rice de l'image / Autor.a da imagem
Fundación Repoblación
Grupo de tarea a la que se refere el artículo / Groupe de tâche auquel se réfère l'article / Grupo de tarefas ao qual o artigo se refere
GT1 Estado del arte / Etat de l'art / Estado da arte
Temática / Thématique / Tema
Censo participativo de los terceros lugares agroalimentarios / Recensement participatif des tiers-lieux agroalimentaires / Recenseamento participativo dos terceiros lugares agroalimentares
Recensement participatif et cartographie territoriale
Texto del artículo / Texte de l'article / Texto do artigo
Dans de nombreuses régions du sud de l'Europe, il se passe quelque chose d'intéressant. Dans d’anciennes fermes, dans de petits villages, au sein de coopératives rurales, dans des espaces partagés de transformation alimentaire ou dans des potagers communautaires, apparaissent des projets qui mêlent agriculture, innovation sociale, apprentissage et vie en communauté. Ce sont des initiatives qui ne rentrent pas tout à fait dans les catégories traditionnelles : ce ne sont pas seulement des exploitations agricoles, ni uniquement des centres sociaux, ni de simples espaces de formation. Ce sont des lieux hybrides, vivants, où produire de la nourriture signifie aussi créer une communauté.
Pour commencer à mieux comprendre cette réalité émergente, le projet Interreg Sudoe ATLAS a lancé une nouvelle initiative : un recensement participatif des tiers-lieux agroalimentaires. Il invite toutes les initiatives sociales liées à l’agroécologie et à l’alimentation durable à se faire connaître et à faire partie d’une carte commune des expériences.
L’idée est simple mais ambitieuse. Dans de nombreux territoires, ces initiatives existent, fonctionnent et ont un impact local, mais elles agissent souvent de manière dispersée, sans savoir que dans d’autres régions, des projets très similaires sont confrontés aux mêmes défis. Le recensement vise justement à rendre visible ce réseau qui existe déjà, même s’il n’a pas toujours conscience de lui-même.
L'un des principaux objectifs du projet ATLAS est d'identifier et de cartographier ces initiatives afin d'élaborer la première typologie transnationale des « tiers-lieux » agroalimentaires. Ce travail permettra de mieux comprendre quelles formes prennent ces espaces, comment ils s'organisent et quel rôle ils jouent dans la transition vers des systèmes alimentaires plus durables. De plus, ces connaissances peuvent servir de base pour orienter les futures politiques publiques et les programmes de soutien qui aideront ces projets à voir le jour, à se développer et à se consolider.
Mais le recensement n’est pas seulement un outil de recherche. Il peut également devenir une opportunité pour les initiatives participantes elles-mêmes. En s’inscrivant, chaque projet peut se faire connaître au-delà de son environnement immédiat, entrer en contact avec des expériences similaires et découvrir qu’il fait partie d’un mouvement beaucoup plus large d’innovation territoriale.
Le questionnaire recueille des informations de base — telles que la localisation, la forme juridique, les coordonnées ou le site web —, mais pose également des questions qui aident à mieux comprendre la vie interne de ces espaces : quels sont leurs objectifs, quels défis sociaux cherchent-ils à relever, quelles activités développent-ils ou comment s’organisent les formes de participation au sein du projet.
Les premières réponses au recensement laissent déjà entrevoir des perspectives prometteuses. Dans tous les pays participant au projet, l'appel à participation a reçu un accueil favorable. Parallèlement, certaines différences intéressantes commencent à apparaître entre les territoires.
En France, par exemple, le concept de « tiers-lieu » est beaucoup plus répandu. Depuis des années, il existe des politiques publiques et des programmes spécifiques qui encouragent ces espaces, ce qui fait que de nombreuses initiatives s’identifient à ce modèle et participent activement aux réseaux et aux processus de cartographie.
En Espagne et au Portugal, en revanche, la situation est différente. Le terme « tiers-lieu » est encore peu connu et les politiques publiques soutenant ce type de projets sont rares, voire pratiquement inexistantes. De plus, de nombreuses initiatives fonctionnent avec des ressources très limitées : des équipes réduites, des structures fragiles et peu de temps à consacrer aux processus de visibilité ou de diffusion.
Et pourtant, c’est précisément pour cette raison que le recensement peut jouer un rôle particulièrement important. Chaque nouvelle initiative identifiée contribue à dresser une carte plus complète de l’innovation sociale liée à l’agroécologie et à l’alimentation durable dans l’espace Sudoe.
Plus qu'un simple recensement, cette enquête marque le début d'un projet plus vaste : une manière de reconnaître que, dans de nombreux endroits, des espaces sont déjà en train de voir le jour où produire de la nourriture signifie aussi renforcer les communautés, partager des connaissances et ouvrir de nouvelles perspectives pour les territoires. Une carte qui ne se contente pas de décrire ce qui existe, mais qui aide aussi à imaginer ce qui peut encore se développer.
Grupo de tarea a la que se refere el artículo / Groupe de tâche auquel se réfère l'article / Grupo de tarefas ao qual o artigo se refere
GT1 Estado del arte / Etat de l'art / Estado da arte
Temática / Thématique / Tema
Censo participativo de los terceros lugares agroalimentarios / Recensement participatif des tiers-lieux agroalimentaires / Recenseamento participativo dos terceiros lugares agroalimentares
TEXTO:
En muchos lugares del sur de Europa está ocurriendo algo interesante. En antiguas
granjas, en pequeños pueblos, en cooperativas rurales, en espacios compartidos de
transformación alimentaria o en huertos comunitarios están apareciendo proyectos que
mezclan agricultura, innovación social, aprendizaje y vida en comunidad. Son iniciativas
que no encajan del todo en las categorías tradicionales: no son solo explotaciones
agrícolas, ni únicamente centros sociales, ni simples espacios de formación. Son lugares
híbridos, vivos, donde producir alimentos significa también producir comunidad.
Para empezar a comprender mejor esta realidad emergente, el proyecto Interreg Sudoe
ATLAS ha puesto en marcha una nueva iniciativa: un censo participativo de terceros
lugares agroalimentarios. Con él se invita a todas aquellas iniciativas sociales
vinculadas con la agroecología y la alimentación sostenible a darse a conocer y formar
parte de un mapa común de experiencias.
La idea es sencilla pero ambiciosa. En muchos territorios estas iniciativas existen,
trabajan y generan impacto local, pero a menudo lo hacen de forma dispersa, sin saber
que en otras regiones hay proyectos muy similares enfrentándose a los mismos desafíos.
El censo busca justamente hacer visible esa red que ya existe, aunque todavía no
siempre sea consciente de sí misma.
Uno de los objetivos principales del proyecto ATLAS es identificar y cartografiar estas
iniciativas para elaborar la primera tipología transnacional de terceros lugares
agroalimentarios. Este trabajo permitirá comprender mejor qué formas adoptan estos
espacios, cómo se organizan y qué papel desempeñan en la transición hacia sistemas
alimentarios más sostenibles. Además, este conocimiento puede servir de base para
orientar futuras políticas públicas y programas de apoyo que ayuden a que estos
proyectos nazcan, crezcan y se consoliden.
Pero el censo no es solo una herramienta de investigación. También puede convertirse en
una oportunidad para las propias iniciativas que participan. Al registrarse, cada proyecto
puede darse a conocer más allá de su entorno inmediato, conectar con experiencias
afines y descubrir que forma parte de un movimiento mucho más amplio de innovación
territorial.
El cuestionario recoge información básica —como la localización, la forma jurídica, los
datos de contacto o la página web—, pero también plantea preguntas que ayudan a
comprender mejor la vida interna de estos espacios: qué objetivos persiguen, qué retos
sociales intentan abordar, qué actividades desarrollan o cómo se organizan las formas de
participación dentro del proyecto.
Las primeras respuestas al censo ya muestran un panorama prometedor. En todos los
países que participan en el proyecto la convocatoria ha tenido una acogida positiva. Al
mismo tiempo, empiezan a aparecer algunas diferencias interesantes entre territorios.
En Francia, por ejemplo, el concepto de tercer lugar está mucho más extendido. Desde
hace años existen políticas públicas y programas específicos que promueven estos
espacios, lo que hace que muchas iniciativas se identifiquen con este modelo y participen
activamente en redes y procesos de mapeo.
En España y Portugal, en cambio, la situación es distinta. El término «tercer lugar»
todavía es poco conocido y las políticas públicas que apoyan este tipo de proyectos son
escasas o prácticamente inexistentes. Además, muchas iniciativas funcionan con recursos
muy limitados: equipos pequeños, estructuras frágiles y poco tiempo disponible para
dedicar a procesos de visibilización o difusión.
Y sin embargo, precisamente por eso, el censo puede jugar un papel especialmente
importante. Cada nueva iniciativa identificada ayuda a dibujar un mapa más completo
de la innovación social vinculada a la agroecología y la alimentación sostenible en
el espacio Sudoe.
Más que un simple registro, este censo es el comienzo de algo mayor: una forma de
reconocer que, en muchos lugares, ya están naciendo espacios donde producir alimentos
significa también fortalecer comunidades, compartir conocimiento y abrir nuevas
oportunidades para los territorios. Un mapa que no solo describe lo que existe, sino que
también ayuda a imaginar lo que todavía puede crecer.
Grupo de tarea a la que se refere el artículo / Groupe de tâche auquel se réfère l'article / Grupo de tarefas ao qual o artigo se refere
GT1 Estado del arte / Etat de l'art / Estado da arte
Temática / Thématique / Tema
Censo participativo de los terceros lugares agroalimentarios / Recensement participatif des tiers-lieux agroalimentaires / Recenseamento participativo dos terceiros lugares agroalimentares