Quem sou eu?
Compreender a dinâmica dos terceiros locais agroalimentares
Aqui encontrará uma descrição dos critérios que utilizamos para detetar e analisar as dinâmicas dos terceiros lugares agroalimentares em França, Espanha e Portugal. Para criar um terceiro lugar, não é necessário, num determinado momento, dominar todos os critérios. O essencial é ter um rumo e uma visão do objetivo a atingir. Se deseja descobrir iniciativas perto de si, visite o nosso diretório colaborativo.
Do que estamos a falar?
Da vocação transformadora dos terceiros lugares no território: mudar a relação com a propriedade; restabelecer os laços sociais entre habitantes e entre gerações; reforçar a ação comunitária; acolher novos talentos numa lógica de inclusão e diversidade; apoiar a criação de atividades de interesse local; fortalecer o diálogo entre cidadãos, instituições e profissionais locais; e contribuir para a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.
Exemplos
"Somos uma comunidade autónoma que se move pela regeneração ecológica, económica, social e cultural. Desde a transição agroecológica até à promoção da cultura local, passando pelo consumo consciente e a educação transformadora, abraçamos uma variedade de ramos para servir as necessidades e aspirações da nossa comunidade". (Cooperativa Regenerativa Integral)
"Promover a inclusão social e comunitária, através da integração de pessoas com deficiência em atividades produtivas, promovendo emprego, formação e convívio com a comunidade". (Quinta Pedagógica Inclusiva do CASCI)
"Promover a regeneração da Cova da Beira através da implementação de ações concretas que aumentem a resiliência e auto-suficiência da região, incentivem a participação cidadã e a cooperação entre organizações, impulsionem a economia local, melhorem a qualidade de vida da população e criem grupos de trabalho como comunidades de aprendizagem e laboratórios vivos". (Cooperativa Cova da Beira)
"A Cooperativa Integral tem como fim a organização de uma Economia Integral que fornece os produtos, bens e serviços básicos necessários à vida em sociedade". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
Do que estamos a falar?
De um espaço concreto que se tornará ponto de encontro e de realização de múltiplas atividades. Pode tratar-se de uma antiga quinta, de uma zona industrial devoluta, de um edifício patrimonial, de uma unidade de transformação ou de um espaço de utilização comunitária. De forma geral, pode ser qualquer espaço preparado ou a reabilitar, que pertença aos fundadores do terceiro lugar ou que lhes seja disponibilizado por um agente público ou privado, de forma gratuita ou onerosa, e de modo permanente ou temporário.
Um mesmo terceiro lugar pode dispor de diferentes espaços, concentrados num único local ou distribuídos por vários. O espaço e as infraestruturas partilhadas são um elemento essencial da dinâmica do terceiro lugar e constituem um conjunto de bens comuns ao serviço da comunidade.
Exemplos
"O espaço Nativa tem aberto ao público uma mercearia, um café-restaurante e um bar, onde promove eventos assentes nos valores regenerativos nas temáticas da alimentação e cultura. Além de um Centro de Aprendizagens". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"Centro onde se encontram em funcionamento duas das respostas sociais da Organização direcionadas para a população jovem e adulta com deficiência e incapacidade. A QPI pretende abrir este Centro à comunidade através da disponibilização de atividades e produtos diversos, promovendo a integração e aproximação social dos vários públicos, contribuindo deste modo para uma sociedade mais inclusiva". (Quinta Pedagógica Inclusiva do CASCI)
"Mercearia comunitária com uma zona de loja e uma zona de bar. Cave Cultural, disponível para aluguer individual e coletivo, e onde são acolhidas diferentes atividades como aulas, workshops, concertos, sessões de cinema, peças de teatro e outros eventos abertos ao público. São também dinamizadas iniciativas de caráter lúdico ou artístico, transversais a toda a cooperativa (e.g. momentos de convívio, newsletters…). Dispomos de um espaço CoWork". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
"A Cozinha da Avó é um projeto de empreendedorismo social em Mértola, sediado na Casa do Povo de Santana de Cambas, com uma rede de hortas e um restaurante pop-up". (Cozinha Da Avó)
Do que estamos a falar?
Da política de acolhimento incondicional e dos mecanismos de integração existentes. Os terceiros lugares facilitam ativamente a informação e a integração dos recém-chegados. Isso pode assumir a forma de portas abertas, eventos festivos, imersões... permitindo descobrir o lugar, os seus utilizadores, as suas atividades, os seus valores, o seu funcionamento... Alguns terceiros lugares têm uma estratégia de inclusão e diversidade social para eliminar eventuais obstáculos à participação de pessoas em situação de exclusão ou fragilidade social.
Exemplos
"Espaço aberto à comunidade para que possam fazer os seus eventos. Utilizando as infraestruturas e os serviços de refeição. Lugar onde os agricultores e produtos locais podem vender os produtos na nossa loja e no restaurante. Um ponto de encontro, aberta ao público em geral, não é necessário ser membro da Cooperativa". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"A quinta para além de empregar 42 pessoas c/ deficiência está aberta à comunidade, abrangendo todos os públicos c/ especial destaque para as famílias e para as crianças e jovens". (Quinta Pedagógica Inclusiva do CASCI)
"Mercearia e Cave cultural abertos ao público. Prestação de serviços tanto aos membros da cooperativa como a clientes externos". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
"Ações dirigidas a diferentes faixas etárias, mas sobretudo dirigidas a crianças e séniores, estando inserido na Escola e promovendo o diálogo intergeracional. Este restaurante é o momento privilegiado de contacto da comunidade em geral com A Cozinha da Avó.” (Cozinha Da Avó)
Do que estamos a falar?
De mecanismos e processos concebidos para incentivar e apoiar a participação dos utilizadores, tanto na vida do lugar como nas suas atividades e na sua governança. A participação dos utilizadores em todas, ou apenas nalgumas, das decisões relativas à gestão do terceiro lugar pode estar prevista nos seus estatutos, num regulamento interno ou num código de funcionamento. Para estimular a participação, podem ser promovidas ações de formação, workshops, grupos de intercâmbio, assembleias plenárias, entre outras iniciativas, permitindo reforçar o poder de ação das pessoas e criar espaços de encontro e de expressão.
Exemplos
"Promover a cooperação, coesão e inclusão social, a governança participativa, as competências de trabalho em grupo e a co-criação de respostas para os desafios e potenciais presentes no território, através da educação, facilitação e promoção de métodos participativos que visam o cuidar da Terra, das pessoas e a paz". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"Os visitantes podem participar nas atividades quotidianas da quinta, como nas plantações e colheitas, na alimentação dos animais, e na manutenção dos espaços, seja no âmbito das visitas seja no das atividades de voluntariado ou de team building. Anualmente é feito um questionário de satisfação aos diversos utilizadores do espaço, sendo estes convidados a dar sugestões para o melhor funcionamento do espaço, as quais, na medida do possível, são incorporadas, nas atividades da quinta. Também os trabalhadores da quinta, com ou sem deficiência, no âmbito do SGQ implementado na instituição são motivados a apresentarem sugestões para o melhoramento do espaço e das atividades disponibilizadas". (Quinta Pedagógica Inclusiva do CASCI)
"Cooperação e gestão democrática: A Cooperativa é gerida de forma democrática pelos seus membros e qualquer trabalhador. Todos os membros da Rizoma são bem-vindos a participar nas reuniões e a ajudar a tomar decisões. Participação ativa na construção do espaço comunitário". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
Do que estamos a falar?
Dos mecanismos de aprender fazendo e de transmissão entre pares, facilitados pelos terceiros lugares. Os terceiros lugares permitem aprender de outra forma (formação formal, não formal ou informal), por iniciativa própria e em interação com outras pessoas. São espaços de educação permanente que fazem da transmissão um processo coletivo, relacional e colaborativo, permitindo reforçar a capacidade de ação dos indivíduos, a sua autonomia e o seu posicionamento na sociedade.
Exemplos
"Acesso a programas em educação não formal, baseadas em aprendizagem experiencial no contexto rural. Capacitar a comunidade através de intercâmbios, colónias de férias, estágios e cursos. Desenvolvendo competências artísticas, linguísticas ou outras matérias em concordância com a vocação dos participantes. Gestão de centros de aprendizagem, ligados a todos níveis de ensino, excepto o superior e incluindo os centros de capacitação profissional, visando a aquisição e o aprofundamento de saberes e competências profissionais nos jovens e adultos". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"Equipa de artesãos e artistas autodidatas que partilham conhecimento entre si organizam eventos para a comunidade. Fomentar, acolher e incubar atividades e práticas artístico-culturais, comunitárias, independentes, individuais ou coletivas, prioritariamente de membros da cooperativa, mas também de não membros". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
"As hortas funcionam como espaço-escola de capacitação de crianças e jovens com workshops diversificados. O acompanhamento por técnicos especializados assegura o modo de produção biológica e os padrões de segurança alimentar exigíveis. Contamos, ainda, com a colaboração voluntária de séniores e crianças do concelho na manutenção de viveiros". (A Cozinha da Avó)
Do que estamos a falar?
De modelos socioeconómicos híbridos que combinam receitas provenientes de atividades (por exemplo, aluguer de espaços, formação, venda de produtos ou serviços), subsídios públicos e/ou privados, quotizações, doações, bem como diversas contribuições voluntárias em espécie. Para otimizar a gama de recursos disponíveis, gerir os terrenos e constituir fundos próprios, é frequente que os terceiros lugares alimentares adotem diferentes estatutos jurídicos, como, por exemplo, uma associação de interesse geral, uma empresa agrícola, uma cooperativa de produção, integral ou de interesse coletivo, ou uma sociedade civil imobiliária.
Exemplos
"Uma pessoa coletiva autónoma, sem finalidades lucrativas. Comércio consciente, local e biológico promovendo circuitos curtos através de articular produtores e organizar espaços e momentos de venda assim como adquirir, armazenar, distribuir e fornecer aos membros, comerciantes ou industriais, os bens e serviços necessários à sua atividade, e colocar no mercado físico e on-line os bens e serviços por eles produzidos ou transformados". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"Mercearia detida e auto-gerida pela comunidade dos seus membros. Apenas cooperantes da Secção de Consumo podem fazer compras na mercearia". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
"Apesar de fazer parte de uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, a quinta desenvolve atividades comerciais, comercializando os produtos agroalimentares aqui produzidos e os serviços disponibilizados a clientes individuais ou empresariais". (Quinta Pedagógica do CASCI)
Do que estamos a falar?
Das múltiplas conexões que os terceiros lugares alimentares estabelecem e dos processos de inovação social que promovem no sistema alimentar territorial. A ação e a influência dos terceiros lugares muitas vezes não se limitam aos espaços que valorizam nem aos utilizadores que acolhem. No seu território, os terceiros lugares alimentares desempenham um papel de ligação entre diferentes redes - cidadãos, profissionais e instituições — em torno da agricultura e da alimentação. Através dos mecanismos de concertação e das ferramentas coletivas que dinamizam, contribuem para reforçar a participação dos habitantes nas decisões relacionadas com a sua alimentação e as ações de cooperação destinadas a criar novas respostas às necessidades agroalimentares locais.
Exemplos
"Centro de Aprendizagens na área da Regeneração Florestal, através de vários prestadores de serviços e é responsável pela incubação de vários projetos, que vão do turismo à animação cultural e produção artística". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"Rizoma é uma cooperativa multissetorial, com seis secções ativas: a Secção de Consumo, que gere a Mercearia, a Secção Cultura, que gere a Cave Cultural, a Secção de Serviços, que gere o espaço de cowork, a Secção Habitação, a Secção Agrícola e a Secção de Artesanato". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
"A Quinta Pedagógica Inclusiva está integrada no Centro de Reabilitação Profissional do CASCI, Centro onde se encontram em funcionamento duas das respostas sociais da Organização direccionadas para a população jovem e adulta com deficiência e incapacidade". (Quinta Pedagógica do CASCI)
Do que estamos a falar?
Diversas atividades podem ser desenvolvidas em terceiros lugares em torno da agroecologia e da alimentação sustentável. Por exemplo: horta intergeracional, espaço de experimentação agrícola, unidade coletiva de transformação de produtos agrícolas e florestais, cantina ou mercearia social, agrupamento de compras biológicas e solidárias, cozinha partilhada, formação em permacultura, coworking, oficina de educação ambiental, entre outras. Alguns terceiros lugares podem ser dedicados à produção agroecológica e à alimentação sustentável, enquanto outros podem ter uma abordagem multissetorial.
Exemplos
"Centro de Aprendizagens na área da Regeneração Florestal". (Regenerativa Cooperativa Integral)
"Promoção de práticas agro-ecológicas, economias locais e circulares; Disponibilizar a consumidores individuais ou coletivos produtos frescos, nutritivos, de época e a preços acessíveis; Prevenir o desperdício alimentar, nomeadamente de excedentes; Aumentar as práticas de alimentação de base local". (Rizoma Cooperativa Integral, CRL)
"Na quinta promovemos a economia circular e uma agricultura tradicional. Aproveitamos, reutilizando para a compostagem". (Quinta Pedagógica do CASCI)
"Mais do que biológicas, as hortas são trabalhadas numa abordagem de agricultura regenerativa, aplicando boas práticas de gestão de solos e eficiência hídrica que favorecem a não sobrecarga e a regeneração da terra". (A Cozinha da Avó)